Formação de um banco de dados nacional e acesso a outros bancos de dados privilegiados uniformização da linguagem para a quebra dos sigilos bancário e telefônico maior interação com a Receita Federal e outros órgãos públicos afins necessidade de que a investigação seja dirigida ou acompanhada de perto pelo Ministério Público, e de que os promotores de Justiça adotem o trabalho setorizado, regionalizado e nacionalmente integrado. Estas foram algumas das providências para o combate ao crime organizado sugeridas pelo procurador da República no Distrito Federal, José Alfredo de Paulo Silva, pelo procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Mauro Renner, e pelo promotor de Justiça de São Paulo, Marcelo Mendroni, durante o XVII Congresso Nacional do Ministério Público.
No decorrer do painel A Unidade do Ministério Público no Combate ao Crime Organizado - coordenado pelo presidente da CONAMP e presidente geral do congresso, José Carlos Cosenzo -os três palestrantes foram unânimes na defesa da investigação dirigida ou acompanhada pelo MP nos casos de crime organizado. “Não dá para trabalhar na investigação das organizações criminosas sem a participação efetiva do MP. É uma necessidade indiscutível, inclusive para evitar as ingerências políticas”, salientou Mendroni, ressaltando, no entanto, a importância do trabalho conjunto com a Polícia. Ele frisou que, no Brasil, ocorre um erro grave na condução da investigação: “Aqui os autos da investigação ficam com o delegado de polícia, enquanto que na grande maioria dos países fica com o promotor de Justiça, que é responsável por convocar a polícia e determinar o que deve ser feito. Mendroni lançou a idéia da formação de grupos regionais de combate ao crime organizado - que atuaria de acordo com as especificidades das organizações criminosas de cada região -, e salientou a necessidade de setorização e especialização dos trabalhos dos promotores criminais uma vez que o crime organizado atua em várias vertentes.
O procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul e ex-presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) ressaltou a necessidade dos promotores de Justiça criminais cada vez mais atuarem de forma integrada, “pois até então atuávamos de forma isolada”. O combate às organizações criminosas exige, segundo Mauro Renner, uma integração nacional dos promotores criminais: “É preciso transformar este trabalho numa relação institucional, ordinária, independente dos promotores que estejam atuando no setor”.
O procurador da República no DF defendeu a necessidade de uma maior aproximação entre o MP federal e os MPs estaduais. “Predominam ainda as relações pessoais, que dependem muitas vezes do humor dos colegas”, disse José Alfredo, sugerindo o estabelecimento de uma linguagem comum nas ocasiões de quebra dos sigilos bancário e telefônico, “a fim de que a troca de idéias e a adoção das providências ocorram com maior rapidez”. Ele admitiu que as organizações têm-se ampliado e aperfeiçoado sua ação, e que há um sentimento de impunidade em vários setores da população que acreditam que não serão penalizados pela prática de ações delituosas. “Mas isto está mudando. A percepção do risco e da possibilidade concreta da punição já está aumentando, principalmente no meio político”, salientou José Alfredo.