NOTÍCIAS
21/05/2008
Em ato público contra a PEC 457/2005, Cosenzo diz que a proposta para ampliar idade limite de aposentadoria de magistrados demonstra busca de objetivos pessoais, em detrimento dos interesses da sociedade.
PEC ATENDE APENAS INTERESSES PESSOAIS.
"Não posso ver na busca da aprovação dessa PEC (457/2005) nenhum outro projeto, que não o projeto pessoal". A declaração foi feita hoje (20) pelo presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP, José Carlos Cosenzo, durante ato público, na Câmara dos Deputados, contra a Proposta de Emenda Constitucional 457/2005, que amplia de 70 para 75 anos a idade limite da aposentadoria compulsória de magistrados.

Para o presidente da CONAMP, a proposta é inaceitável, uma vez que atende apenas interesses pessoais de alguns poucos integrantes dos tribunais superiores. "Não se pode usar o Poder Legislativo e a influência das cúpulas superiores para satisfazer projetos pessoais", criticou Cosenzo. Ele destacou ainda que a sociedade será a maior prejudicada com a aprovação da PEC. "Hoje, tanto a magistratura quanto o Ministério Público têm buscado realizar um trabalho voltado para a sociedade. As cúpulas estão anos-luz atrás desse trabalho social feito pela base. Por isso, precisamos oxigenar a magistratura, receber novas idéias e propostas", concluiu o presidente da CONAMP.

A importância da renovação nos quadros da magistratura também foi lembrada pelo deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), que é contrário à PEC. "É imperativo republicano a alternância do poder. No Legislativo e Executivo, isso se dá pelo voto. Por isso, no Judiciário é vital a manutenção da aposentadoria compulsória aos 70 anos", destacou o parlamentar.

Falando em nome do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante Júnior destacou que a PEC é interesse apenas de alguns membros dos tribunais superiores, que não querem deixar o poder. "Não interessa aos advogados a fossilização das instituições", disse o representante da OAB, justificando o posicionamento contrário da advocacia à proposta.

Já o presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho – Anamatra, Cláudio Montesso, fez uma comparação entre a média de permanência dos magistrados das cortes brasileiras e a dos tribunais superiores alemães. Segundo ele, no Brasil desembargadores e ministros ficam muito mais tempo no cargo do que na Alemanha, onde o mandato é de doze anos.

Também participaram do ato público o secretário-geral da CONAMP, Rui Schiefler o presidente da Associação Goiana do Ministério Público – AGMP, Lauro Machado Nogueira o presidente da Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – AMPDFT, Carlos Alberto Cantarutti os deputados Régis de Oliveira (PSC-SC), Antônio Biscaia (PT-RJ) e Elcione Barbalho (PMDB-PA) o presidente da Associação Nacional do Ministério Público Militar – ANMPM, Marcelo Rabello o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil – Ajufe, Walter Nunes o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República – ANPR, Antonio Carlos Bigonha entre outros.

O evento de hoje foi promovido pelas entidades integrantes da Frente Associativa da Magistratura e Ministério Público da União. Ele foi o primeiro de uma série de atos públicos que serão realizados pela rejeição da PEC 457/2005. O objetivo é evitar que a proposta seja votada no plenário Câmara. A proposição já foi aprovada em dois turnos no Senado e, encaminhada para a Câmara, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. Agora, a PEC precisa ser votada em dois turnos, com aprovação de três quintos dos deputados. A proposta original do Senado era ampliar a idade limite da aposentadoria compulsória apenas para os tribunais superiores, mas na Câmara foi ampliada para o servidor público em geral.

Os próximos atos públicos serão realizados nas Assembléias Legislativas e Seções Judiciárias de todos os estados, também por iniciativa da Frente Associativa. Até o dia 30 de maio, todas as Associações devem indicar os representantes que vão promover, nas Assembléias Legislativas de todo o país, novos atos públicos contrários à ampliação da idade-limite para aposentadoria para os 75 anos.

A Frente Associativa da Magistratura e Ministério Público da União é formada pela CONAMP, Ajufe, Anamatra, ANPR, Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho – ANPT, ANMPM, AMPDFT, Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB e pela Associação dos Magistrados do Distrito Federal – Amagis-DF.

Gilberto Mauro
« Voltar
Desenvolvido pela:
Sua marca de sucesso na Internet.
Associação do Ministério Público do Amapá - AMPAP
Av. Padre Júlio Mª Lombaerd, 1570 - 68900-030
Macapá/AP - Fone/Fax: (96) 3223-7075 / Sede Campestre: (96) 3241-1200
Sistema Antistress