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25/06/2008
JUSTIÇA ABERTA NÃO É RANKING DE JUÍZES.
JUSTIÇA ABERTA NÃO É RANKING DE JUÍZES.
Gilmar Mendes diz que sistema com dados da produção do Judiciário não será usado para classificar ou comparar atuação de juízes. Presidente da CONAMP elogia iniciativa, mas alerta para a responsabilidade no uso das informações fornecidas.

O sistema Justiça Aberta, lançado hoje (24) pelo Conselho Nacional de Justiça, não será usado para classificar ou comparar a atuação de juízes, o objetivo é aperfeiçoar o Judiciário brasileiro. A garantia é do presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. "Há um propósito muito mais elevado, que é o de subsidiar o Judiciário, de dar subsídios para uma ação, inclusive de longo prazo", assegurou o ministro durante o lançamento.

O sistema disponibiliza, na internet, dados sobre a produção de cada juiz do país, população carcerária, informações sobre cartórios e suas arrecadações. O objetivo é permitir uma visão contextualizada do Poder Judiciário e buscar estratégias para resolver a questão da morosidade da Justiça.

As informações são divididas em três áreas: judicial, extrajudicial e população carcerária. Ao acessar o sistema, é possível saber, por exemplo, o número de audiências realizadas em determinada Vara, a quantidade de processos arquivados e concluídos, o número de funcionários e informações como a localização, com endereço, telefone e e-mail.

O sistema foi elogiado pelo presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP, José Carlos Cosenzo, que participou da solenidade de lançamento. Mas Cosenzo alertou para a responsabilidade na utilização dos dados fornecidos. "Transparência nos atos do Judiciário e redução do prazo para prestar a tutela jurisdicional são desejos da sociedade brasileira. Mas o importante é não criar um sistema de competição entre os agentes políticos, pois a missão constitucional do CNJ e do CNMP é formular políticas de gestão, respectivamente, para o Judiciário e o Ministério Público", destacou.

Como é possível saber o número de sentenças proferidas, o encaminhamento de processos e outras atividades de cada magistrado, o Justiça Aberta recebeu críticas de que possibilitaria a comparação e o rankeamento dos juízes. O receio, segundo alguns magistrados, é que seja comparada a produção de juízes que atuam em comarcas com estruturas completamente diferentes.

Mas, de acordo com Gilmar Mendes, a comparação não será feita. "Nós somos pessoas suficientemente experientes para saber que não podemos comparar uma determinada vara com outra porque elas exercem atividades diferenciadas. Agora, dentre aquilo que é comparável, é preciso que haja comparação. Comparar a justiça de um estado com a de outro, até para que isso estimule eventuais análises, eventual laboratório, no sentido positivo do termo, no que concerne à gestão", concluiu o ministro.

Gilberto Mauro
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