O promotor de Justiça paraense Fabrício Ramos Couto, assassinado em 24 de novembro de 2006, foi homenageado durante o For-JVS 2010 – International Forum of Justice. Os pais do membro do Ministério Público, Áurea e Reynaldo Couto, receberam a comenda internacional Láurea Golden Tears. A homenagem foi realizada em São Paulo e contou a presença dos presidentes da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público – CONAMP, César Mattar Jr., da Associação do Ministério Público de Roraima – AMPER, Ricardo Fontanella, da Associação do Ministério Público do Rio Grande do Norte – AMPERN, Rinaldo Reis, da Associação Piauiense do Ministério Público – APMP, Flávio Abreu, da Associação Catarinense do Ministério Público – ACMP, Rui Schiefler, e dos vice-presidentes da Associação Cearense do Ministério Público – ACMP, José Wilson, e da Associação do Ministério Público de Rondônia – AMPRO, Amadeu Sikorski Filho.
"Além do amigo Fabrício, perdeu o Ministério Publico do Pará e do Brasil um grande Promotor de Justiça. Diligente, culto, firme, audacioso e aguerrido, o Dr. Fabrício encarnou o perfil do incansável, do representante ministerial inquieto com as mazelas de sua profissão, irresignado com o descaso do poder público, inconformado com as injustiças sociais; e este não é o ponto de vista apenas de seus colegas, mas a uníssona opinião da sociedade paraense, em especial do município de Marapanim, no Pará, onde o Dr. Fabrício operou o bom Direito por cerca de dez anos", disse César Mattar, em discurso durante a homenagem.
O presidente da CONAMP lembrou ainda que o assassinato de Fabrício atingiu o Ministério Público do Pará e toda a Justiça brasileira, uma vez que o promotor foi morto no exercício de suas funções. "Não apenas o Fabrício ou o Promotor de Justiça foi vitimado. O Estado foi alvejado, a Justiça foi martirizada. A bandeira do Ministério Público que o Fabrício fazia tremular, em prol dos desvalidos, dos necessitados, dos pequenos, dos de toda sorte hipossuficientes não é localizada, mas nacional e transnacional", concluiu.
Fabrício Ramos Couto foi morto, nas dependências do Fórum de Marapanin, com seis tiros pelo advogado João Bosco Guimarães, que, armado com dois revólveres, entrou no gabinete de trabalho do promotor, para cometer o crime. Na época do assassinato, João Bosco estava retendo os autos de processo movido contra ele por tentativa de homicídio e recebeu a ordem de entregar os documentos ou então estaria sujeito a novas sanções penais. O pedido para a devolução dos autos foi feito à juíza responsável pelo caso por Fabrício. O assassino foi condenado, em novembro de 2009, por homicídio triplamente qualificado, a 32 anos de prisão em regime fechado.
O promotor tinha 37 anos de idade quando foi assassinado. Entrou no Ministério Público do Pará por meio de concurso público e foi nomeado promotor de Justiça em setembro de 1994. Atuava havia cerca de dez anos na comarca de Marapanim.
Confira abaixo a íntegra do discurso de César Mattar Jr.:
"O dia 24 de novembro de 2006 ficou indelevelmente marcado nos corações e mentes dos membros do Ministério Público paraense e brasileiro. Naquele fatídico e trágico dia, o parquet paraense sofreu um inegável e sensível abalo em suas estruturas. De forma vil, covarde, abjeta e desumana, para tentar adjetivar o que não pode ser adjetivado; em pleno exercício de seu múnus público e dentro de seu gabinete de trabalho, perdemos o amigo e colega Promotor de Justiça Fabrício Ramos Couto.
Para os que o conheciam, restou a lembrança de um homem bom, alegre, brincalhão, sempre disposto, inteligente e de caráter irretocável; para os que não tiveram a satisfação de compartilhar de sua amizade, o ressalte para a sua integridade e inteireza moral, qualidades que somente permeiam o ego daqueles que possuem uma missão para o bem absolutamente bem definida na terra.
Outrossim, importa frisar que, além do amigo Fabrício, perdeu o Ministério Publico do Pará e do Brasil um grande Promotor de Justiça. Diligente, culto, firme, audacioso e aguerrido, o Dr. Fabrício encarnou o perfil do incansável, do representante ministerial inquieto com as mazelas de sua profissão, irresignado com o descaso do poder público, inconformado com as injustiças sociais; e este não é o ponto de vista apenas de seus colegas, mas a uníssona opinião da sociedade paraense, em especial do município de Marapanim, no Estado do Pará, onde o Dr. Fabrício operou o bom Direito por cerca de dez anos.
Não apenas o Fabrício ou o Promotor de Justiça foi vitimado. O Estado foi alvejado, a Justiça foi martirizada. Infelizmente, o bom Deus não nos concedeu o poder de resgatarmos à vida terrena o Dr. Fabrício Ramos Couto, e nada ou ninguém, jamais, em tempo algum, poderá sublimar o sofrimento impingido à sua família, que até hoje busca explicações para o ocorrido. O assassino, a custo, foi condenado, e só.
Àquela oportunidade, falei do Fabrício como representante classista estadual, hoje falo do Fabrício na qualidade de representante da maior entidade classista do Ministério Público brasileiro, circunstância que me oportuniza constatar que a bandeira do Ministério Público que o Fabrício fazia tremular, em prol dos desvalidos, dos necessitados, dos pequenos, dos de toda sorte hipossuficientes não é localizada, mas nacional e transnacional, como permite-nos entrever este grandioso evento.
O desejo agora, Dr. Reynaldo e D. Áurea, é que pudéssemos estar aproveitando este momento para homenagear o Fabrício em vida, reconhecendo-o como ícone exemplar do Ministério Público do Brasil. Quis, contudo, o Senhor dos Mundos, que esta láurea fosse-lhe entregue in memoriam, em simbólico, mas perene, reconhecimento do Fórum Internacional de Justiça ao Dr. Fabrício Ramos Couto, por sua história, por seu trabalho, por seus sonhos e, mui especialmente, pelo que ele representa para as instituições que carregam sobre os ombros a responsabilidade de realizar as esperanças dos injustiçados, em todo o mundo"